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Bypass Gástrico: Sim ou Não?

 

Ontem fui à tão esperada consulta para, finalmente, me observarem a famosa “cratera” que agora já não passa de um corte. O essencial está cicatrizado, falta só o corte fechar mesmo.

 

A médica propôs-me fazer um bypass gástrico. Assim, de chofre. Sem propor mais nada. Fiquei atordoada. Nunca nos meus pensamentos mais remotos, me tinha passado esta ideia pela cabeça ou pensado sobre o assunto.

 

De há alguns anos para cá tenho tido problemas de peso. É verdade. E isto reflecte-se na minha autoestima (muitíssimo), embora não seja uma pessoa complexada. Quem gosta de mim, gosta como eu sou. É esta a minha conduta de convivência com todos os seres humanos. Até porque defendo que precisamos todos uns dos outros. Provavelmente até mais do que aquilo que temos consciência.

Não sou um caso extremo de obesidade mórbida, sem desprimor algum por todas aquelas pessoas que têm pesos astronómicos e cujo sofrimento físico e psicológico, eu compreendo perfeitamente e também me identifico. Os obesos são pessoas estigmatizadas pela sociedade embora esta doença esteja em franco desenvolvimento.

 

No meu caso, o que fez a médica propor-me o bypass foi não só o excesso de peso mas também a minha tensão alta, que não é nada crítica pois ela só dispara quando me enervo, as minhas dores nas articulações e o desgaste da cartilagem do joelho. Não tenho diabetes, nem colesterol por mais incrível que vos possa parecer.

Não tenho estrutura óssea para aguentar este “colete de gordura” e o meu corpo começou a queixar-se. Tão simples quanto isto.

Em criança fui sempre uma miúda muito magra. A partir dos 20 anos é que a coisa se começou a complicar um bocadinho. Na minha família não existem obesos, com excepção do meu caso.

 

Não estou preparada para uma medida tão drástica. Talvez se fosse uma banda gástrica não estivesse tão desanimada. Não é que eu não queira emagrecer. Nada disso. O problema é o processo.

Sabiam que o bypass gástrico consiste num corte do estômago para reduzi-lo, sendo depois agrafado a uma parte do intestino para fazer a passagem directa da comida e assim perder quantidades de peso brutais? E se depois corre alguma coisa mal futuramente? E as carências vitamínicas, e respectivas consequências, para o resto da vida? Sabiam que no 1º mês só se “come” líquidos através de uma colherzinha de 5 em 5 minutos? Restrições alimentares impostas até ao fim da minha existência?

Tenho consciência do meu excesso de peso, quero e preciso emagrecer mas não através de uma medida tão drástica. Não estou convencida e não sei se alguma vez estarei…

 

Já pesquisei e li bastantes coisas sobre o assunto. Li vários testemunhos de pessoas que fizeram o bypass e que estão óptimas e dizem maravilhas, li outros em que as pessoas estão ansiosas para fazer a cirurgia. Mas a realidade destas pessoas é, ou era, bem diferente da minha.

Não consigo convencer-me. Tem estado a ser um choque muito grande que ainda me deitou mais abaixo do que já estava. Parece que o mundo desabou em cima de mim… Não foi uma coisa que eu desejasse ou tivesse sequer alguma vez passado pela minha cabeça, percebem? Não foi uma opção minha mas uma proposta alheia.

A única coisa positiva que consegui ver em todo este processo foi a perda de peso. E mesmo assim, com a perda de grande quantidade de peso não é preciso fazer cirurgias plásticas posteriores por causa de elasticidade da pele? A parte negativa sobrepõe-se à positiva.

 

A ajuda que eu preciso é a de corrigir os meus hábitos alimentares e apoio psicológico pois estas coisas das dietas deitam abaixo aqueles que são mais frágeis psicologicamente, como é o meu caso. Isto sim. Esta é a medida que, neste momento penso, ser a correcta para mim…

 

Tenho os exames e as consultas para marcar. A avaliação destes casos tem de ser feita por uma equipa multidisciplinar composta por cirurgião, nutricionista e psiquiatra. Estou disposta a fazer a batelada de exames mas não sei se conseguirei ir até ao fim do processo…

 

 

Se estivessem na minha pele, o que fariam?